Entenda como a alta do dólar pode influenciar os seus investimentos

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Para alguns investidores brasileiros, a internacionalização pode ser uma estratégia na proteção de seus patrimônios. Então, aproveitamos o momento e elaboramos um conteúdo especial sobre o tema, na busca por esclarecer um dos fatores de impacto sobre o seu dinheiro: a alta do dólar.

Contamos com o conhecimento de William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue e observador de longa data do mercado internacional, familiarizado com as correlações entre a moeda americana e a brasileira. Mas afinal, quem ganha com a mudança? Isso é o que você poderá descobrir agora.

O que pode provocar a alta do dólar no Brasil?

Assim como a maioria das variações econômicas, a alta da moeda americana pode acontecer por uma combinação de fatores. Especificamente no Brasil, William observa que existe uma convergência de gatilhos que estimulam o aumento do dólar ante o real.

No curto prazo, ele observa que boa parte da alta pode ser justificada por questões de política e desordem administrativa. Essa instabilidade afeta a visão que o capital estrangeiro tem sobre o Brasil. Por consequência, isso pode gerar uma percepção de maior risco para se investir no país, podendo afastar aporte de dólares na economia nacional.

Taxa SELIC

Além dessa observação de curto prazo, é importante destacar um outro fator contextual, que diz respeito à redução da taxa de juros. No momento da redação deste artigo, a SELIC pontuava em sua mínima histórica, 2% ao ano  com expectativas de que a taxa continue em baixa ao longo de 2020, como uma medida de estímulo e incentivo ao crédito para contribuir na resolução da crise.

Mas o que isso significa? Basicamente, a redução da taxa SELIC pode tornar os investimentos nacionais menos atrativos ao investidor estrangeiro, novamente, contribuindo para a fuga dos dólares.

Por fim, vale observar os gatilhos de longo prazo: a perspectiva de crescimento econômico e a inflação.

Controle inflacionário

Historicamente, Will observa que os países que crescem mais são aqueles que controlam sua inflação e, por consequência, veem sua moeda se valorizar em relação às demais. Na média, considerando os últimos 25 anos, os Estados Unidos cresceram mais do que o Brasil, o que pode ter ocorrido em virtude do melhor controle inflacionário.

Esse é um detalhe muito importante, pois a inflação é um fenômeno econômico que pode corroer o poder de compra de uma moeda. Em outras palavras, você não consegue comprar o mesmo que conseguiria no passado. Basta comparar R$ 100 entre 1995 e 2020.

William destaca, no entanto, que a inflação pode não ter um impacto negativo apenas no mercado doméstico, pelos consumidores e usuários dessa moeda. Com o tempo, o desgaste inflacionário pode também afetar a moeda em relação às demais no mercado, o que pode contribuir para a desvalorização do real diante da moeda dos Estados Unidos.

Como essa variação pode influenciar a economia brasileira?

Agora que você conhece algumas influências para a alta do dólar, chega o momento de entender como essa oscilação pode prejudicar o seu patrimônio e os seus hábitos de consumo. Na esfera do consumo, o impacto é o mais imediato possível, pois o que é produzido lá fora chega no Brasil com um preço maior.

Impactos sobre exportações e importações

Em termos de produção, a alta da moeda pode afetar diferentes setores de diferentes maneiras. Digamos que você tenha uma indústria nacional de celulose com um foco majoritário na exportação. Nesse cenário, suas receitas entram em dólares e seus custos são em reais.

Nesse caso específico, a alta do dólar pode causar uma alavanca na ampliação das suas margens de lucro, pois mesmo que você reduza o preço para aumentar sua competitividade no mercado exterior, continuará ganhando mais do que antes. A realidade não é a mesma, no entanto, para as empresas importadoras.

Imagine que você tenha uma operação varejista que importa e revende dispositivos eletrônicos. Com a alta do dólar, a aquisição de mercadoria pode se tornar substancialmente mais cara. Como consequência, poderá ser preciso aumentar os custos de venda, podendo afastar, potencialmente, os consumidores. Nesse cenário, o dólar alto poderá prejudicar o seu funcionamento.

Importação de itens tecnológicos

Por fim, voltamos ao exemplo inicial do consumo particular. Não podemos afirmar que o Brasil é um polo referencial na produção de tecnologia. Isso pode fazer com que muitos dos dispositivos que você usa diariamente sejam importados, como smartphones, tablets, notebooks, smartwatches e até mesmo veículos e afins.

Com a alta do dólar, a aquisição dessas mercadorias se torna mais custosa. Afinal, o lojista, descrito no exemplo anterior, precisa repassar o aumento nos custos ao consumidor final, caso contrário, poderá operar no vermelho.

Commodities

Além disso, o preço de produtos cotidianos também tende a aumentar, principalmente se alguma commodity fundamental à sua produção é importada ao Brasil. Esse é o caso do trigo, que por chegar em moeda americana, acaba por onerar o custo do pão. Como foi possível ver, com os seus recursos concentrados no território nacional, é mais difícil fugir dos impactos do dólar e da inflação.

Quais podem ser os impactos da alta do dólar nos meus investimentos?

Por fim, chega o momento de entender a interferência de um dólar alto sobre o seu patrimônio, tanto o aplicado no Brasil como no mercado americano. O objetivo é destacar uma possível maior segurança oferecida pela diversificação internacional, que torna-se ainda mais importante em um período de desaceleração econômica global.

Renda fixa

Como sabemos, a renda fixa pode ser uma classe de ativos fundamental dentro da estratégia de qualquer investidor de longo prazo. Isso ocorre pois ela tende a oferecer configurações mais estáveis e previsíveis para a rentabilidade do seu patrimônio. Vale ressaltar, no entanto, que estar exposto apenas à renda brasileira pode não ser o ideal.

Mesmo tentando se proteger da inflação com ativos pós-fixados em relação ao IPCA, o seu patrimônio continuará se desgastando frente à principal moeda e padrão de consumo internacional, o dólar. Nesse sentido, é possível herdar a segurança dessa classe, mas ampliando a proteção do patrimônio, investindo em ativos da renda fixa americana.

Assim, você pode preservar uma alocação mais conservadora e defensiva, ao mesmo tempo em que trabalha na diversificação internacional da sua carteira. Como resultado, a parcela de capital alocado na renda fixa dos Estados Unidos terá chances de apresentar uma rentabilidade real maior, contrabalanceando o desgaste do que você tem aplicado no Brasil.

Renda variável

Com a renda variável, a história pode ser um tanto diferente. O primeiro fator de destaque é que a desvalorização do real frente ao dólar contribui para a percepção de alto risco do investimento no Brasil, uma noção que é reiterada frequentemente pelas agências de rating internacional.

Com uma classificação não tão atrativa, os investidores estrangeiros são desestimulados a acessar a bolsa brasileira, e procuram países com uma estrutura monetária, econômica e política mais sólida, como os Estados Unidos. No longo prazo, isso não apenas implica na desvalorização do real, mas também no crescimento das bolsas americanas e das empresas lá listadas.

Por isso, investir em dólar se demonstra uma estratégia que pode ser interessante, pois considera questões de longo prazo que apontam para um desempenho mais virtuoso lá fora. Além disso, vale destacar o acesso aos principais ativos do mercado global, investindo em empresas que estão no vértice da revolução industrial e tecnológica.

Como a Avenue pode ajudar o investidor internacional?

Mas e então, o que fazer para acessar esse mercado? Esse é o campo de atuação da Avenue, trilhar a avenida necessária que fará o investidor internacionalizar o seu patrimônio. Caso não saiba, somos uma corretora que possibilita a diversificação internacional para investidores brasileiros.

Combinando tecnologia, transparência e simplicidade, oferecemos um suporte desburocratizado e comprometido com os seus resultados. Além de produzir uma série de conteúdos sobre como investir e acessar esse mercado, a Avenue oferece as ferramentas necessárias para aplicar o seu dinheiro em bolsas como a NASDAQ e a NYSE.

A objetividade está presente em todos os aspectos da nossa filosofia, seja na interface das nossas plataformas, na abertura da sua conta, na facilidade de transferência, na conversão de moedas à sua carteira, na aplicação nos ativos desejados, dentre outros. Por isso, convidamos você a assinar a nossa newsletter e conhecer mais sobre a Avenue.

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