Dólar e inflação: entenda melhor essa relação

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Crise, patrimônio, dólar e inflação. Afinal de contas, de que maneira esses fatores se correlacionam no cenário atual? Da forma como percebemos, essa é uma preocupação que ecoa na cabeça de muitos investidores, que observam a situação que se desenha pela frente.

Pensando em esclarecer as suas dúvidas, elaboramos este artigo especial sobre o tema, refletindo essas questões e pontuando como esses elementos se relacionam entre si, sobretudo, na maneira em que impactam os seus investimentos.

Continue a leitura e fique por dentro deste que é um assunto tão importante nos dias atuais.

Os gatilhos comportamentais sobre o dólar e a inflação

Uma observação deve ser realizada com amplitude, considerando todos os estágios de determinado acontecimento. Aqui, o primeiro ponto a ser discutido é a alta do dólar, que em uma análise do passado recente, nos revela ter começado antes mesmo da desaceleração econômica provocada pela crise do coronavírus. Veja!

Dólar

No Brasil, a desvalorização do Real frente à moeda norte-americana ocorreu por conta de algumas válvulas centrais. A primeira é o diferencial de crescimento do Produto Interno Bruto. Em 2019, o PIB estadunidense cresceu 2,3%, enquanto o brasileiro, 1,1%. Basicamente, essa disparidade torna a economia norte-americana mais atraente aos olhos dos investidores, que decidem injetar seus recursos lá fora e não no mercado doméstico.

Taxa de juros

Já o segundo argumento é relativo à taxa de juros. Segundo dados do Ipeadata, no fim de 2019, a SELIC estava a 4,5%. Já em março deste ano, a taxa de juros brasileira alcançou sua mínima histórica, 3,75%. Com a sistemática redução da SELIC, também diminui o diferencial entre a taxa brasileira e a americana.

Quanto menor a diferença de rentabilidade para o capital estrangeiro, mais esse investidor buscará uma moeda que seja forte e com uma economia de fato consolidada. É nesse momento que acontece a fuga de capital para o exterior, retirando dólares do Brasil e desvalorizando o real nesse processo.

Déficit da balança comercial

Também é importante falar sobre o déficit da balança comercial. Em outras palavras, o Brasil importa mais do que exporta. Quando isso acontece, a quantidade de dólares que sai é a maior do que a que entra, provocando a desvalorização da moeda nacional.

Inflação

A primeira e principal causa da inflação é a impressão de dinheiro . Em situações estratégicas, governos podem tomar essa decisão, no intuito de cobrir um aumento drástico dos gastos públicos, mediante alguma situação extraordinária que justifique a solução.

A inflação também pode aumentar por aspectos que relacionam o mercado, o consumo e a produção. Em outras palavras, quando existe uma demanda maior do que o país consegue produzir, ou quando os custos operacionais de produção sobem, o preço dos produtos aumenta proporcionalmente e, por consequência, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A pressão do panorama atual sobre esses gatilhos

A este ponto do artigo, é possível estabelecer um paralelo entre dólar, inflação e a situação econômica do país. Como não é segredo para ninguém, o mundo atravessa um doloroso estágio de crise, caracterizado pela pandemia do novo coronavírus, que provocou uma desaceleração drástica na produção econômica em todo o globo.

Disposição financeira para lidar com crises

No entanto, ainda que a pandemia seja generalizada, a situação dos países que a enfrentam não é. Nesse sentido, é válido notar que o Brasil não tem a mesma disposição financeira para lidar com a crise que os Estados Unidos — o que sugere que a economia nacional será severamente impactada, criando um distanciamento ainda maior em relação à norte-americana.

No fim das contas, tanto o aumento dos gastos públicos como a desaceleração produtiva serão realidades observadas em todos os países que lidam com a crise. A diferença crucial, entretanto, será vista na forma como as diferentes economias absorverão esse impacto.

A título de mera observação, vale a pena olhar o comportamento de alguns indicadores, desde o primeiro caso de Covid-19 no Brasil até a redação deste artigo. Em 26 de fevereiro de de 2020, o dólar valia R$ 4,43. Já em 04 de Maio, está em R$ 5,58.

A relação entre dólar e inflação

É nesse momento que o investidor brasileiro se pergunta: ok, mas de que maneira isso impacta os meus resultados? Pois bem, essa é uma dúvida importante, pois guarda uma resposta determinante para a forma como você conduz o seu portfólio. O dólar e a inflação exercem pressões diferentes sobre o seu dinheiro.

A inflação é, de certa forma, uma desvalorização do seu poder de compra. Ou seja, a todo ano em que ela sobe, esse percentual desconta a sua rentabilidade anual. Já o dólar alto, pode beneficiar ou prejudicar os seus resultados, a depender do seu posicionamento no mercado.

Setores beneficiados e prejudicados

A grosso modo, inclusive pré-pandemia, o dólar alto era visto como um sintoma tóxico para os resultados de empresas do setor de turismo e aviação, pois a desvalorização do real normalmente desestimula as viagens internacionais. Com a pandemia, essa situação pode se agravar com muito mais força.

Em contrapartida, o dólar alto pode ser benéfico para quem investe em setores estratégicos de exportação, pois permite que as empresas reduzam seus preços no mercado internacional, ganhem competitividade e faturem mais, algo refletido no longo prazo sobre os seus preços na bolsa.

No entanto, também é válido destacar que a crise do coronavírus modificou esse panorama. A desaceleração da produtividade mundial tende a diminuir as exportações, com exceção de segmentos ultra nichados da indústria, que serão fundamentais no controle da pandemia.

As medidas preventivas para a minimização de impactos

Por fim, vale destacar algumas dicas úteis para evitar o desgaste do seu patrimônio em momentos de complexidade econômica. Em vista do que se desenha pela frente, entendemos que a sua proteção patrimonial depende de dois fatores centrais: a diversificação e a internacionalização.

A diversificação é a consagrada prática de evitar a concentração de recursos em um único ativo, setor ou modalidade de investimento. Com uma distribuição harmoniosa do seu patrimônio, você diminui o risco do seu patrimônio contra quedas bruscas, equalizando eventuais perdas de maneira mais homogênea. Embora a diversificação não
garanta lucro ou proteja contra perdas, pode ser útil para diminuir o risco geral.

Já a internacionalização é a busca por investir em um país de moeda forte, como os EUA. No atual cenário, essa estratégia pode atender a um nível de proteção do seu patrimônio contra as turbulências da economia brasileira, que, naturalmente, pode atravessar um período de maior desgaste enquanto concilia a saúde pública com a dinâmica econômica e produtiva.

Ao longo do texto, foi possível perceber que a relação entre dólar e inflação é algo que precisa ser bem entendido. Do contrário, pode ficar difícil para você investidor fazer as melhores escolhas relacionadas à sua carteira de investimentos.

Agora que você tem ferramentas para entender bem a relação entre atualidade, dólar e inflação, aproveite o momento para seguir as nossas páginas nas suas redes sociais: estamos no Facebook, Instagram, LinkedIn e YouTube!

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