Quais são os impactos do coronavírus na economia mundial?

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A pandemia do novo coronavírus representa um momento único na história recente da nossa sociedade. Tanto os países que foram afetados precocemente; quanto quem tiveram mais tempo para se preparar, têm uma série de desafios para enfrentar. Nesse sentido, algo que vem sendo amplamente discutido são os impactos do coronavírus na economia.

Afinal, qual é o cenário atual no Brasil e de que forma a Covid-19 afeta os mercados interno e externo? O que pode ser feito para lidar com esse momento? Quais serão os próximos passos até que a economia possa se restabelecer?

Preparamos este artigo especial em parceria com Will Castro Alves, Estrategista-Chefe da Avenue Securities LLC e especialista no assunto, para responder a essas e outras perguntas, tirando todas as suas dúvidas nesse período tão delicado. Confira!

Qual a situação do coronavírus no Brasil e no mundo?

Após alguns meses de pandemia e a consolidação das medidas de contenção e prevenção na maioria dos países, já é possível observar alguns dados e indicadores sobre o impacto do novo coronavírus no mundo.

Entretanto, o momento é extremamente singular. A situação é diversa e os países tomam medidas variadas de acordo com a realidade de cada região. Logo, ainda é difícil ter uma previsão acertada.

No Brasil, o momento é de isolamento social, assim como em outras nações. Na prática, ainda é cedo demais para mensurar o quanto isso está desacelerando o ritmo de transmissão do vírus, mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a comunidade científica seguem reforçando o quão essencial é a medida.

Em um cenário mais ameno, a tendência é que o pico de contaminação e eventuais mortes seja reduzido em amplitude, espalhando-se ao longo de algumas semanas ou meses. Logo, os números devem continuar subindo até alcançar um auge a partir do qual os cientistas poderão fazer previsões mais embasadas para a saúde e a economia — dois fatores indissociáveis nesse momento de crise. Os impactos financeiros e mercadológicos, entretanto, já podem ser sentidos.

Qual é o cenário econômico atual?

Mesmo que medidas de afrouxamento da mobilidade social sejam adotadas, o fato é que o comportamento do consumidor mudou. Conforme as pessoas reduzem o quanto gastam e evitam sair de casa, o mercado busca formas de se adaptar, tomando medidas para se resguardar enquanto o ritmo não é retomado.

Os setores mais afetados até o momento foram:

  • aviação (companhias aéreas, empresas de limpeza terceirizadas que dão suporte ao setor etc.);
  • hotelaria (resorts, cassinos, entre outros);
  • restaurantes e serviços relacionados;
  • turismo;
  • pequenos negócios.

O mercado petroleiro já tendia a uma baixa, dada a disputa comercial desencadeada pela decisão da Arábia Saudita de aumentar bruscamente o volume de produção, uma resposta rigorosa a um desentendimento com a Rússia. Ademais, toda empresa que não é capaz de manter ao menos parte das atividades de forma online será muito afetada.

Mundialmente, a China segue sendo um ponto de análise valioso, já que estamos falando do primeiro país atingido e a segunda maior economia global. A princípio, os primeiros sinais são de desaceleração na economia que mais cresce no mundo.

Por isso, é importante manter um olho no país asiático, que já demonstra alguma movimentação para retomar algumas atividades. O desempenho de quem passou as últimas quatro décadas crescendo em ritmo acelerado pode dizer muito sobre quais expectativas podemos ter em relação a outros países, incluindo o Brasil.

Além disso, o fato de ter sido o primeiro país afetado coloca a China em uma posição de algumas semanas ou meses à frente das outras nações. Logo, é a potência asiática quem tem menos previsibilidade sobre o seu futuro, menos tempo para se preparar e análises mais adiantadas sobre o que já se passou até aqui.

Quais são as melhores práticas para vivenciar o momento atual?

Em tempos como esse, a volatilidade do mercado tende a fazer com que os preços de alguns ativos passem por muitas variações. Quem tem dinheiro em caixa pode fazer um bom investimento no curto ou longo prazo. Contudo, é preciso ter atenção especial para a imprevisibilidade, que está presente em qualquer investimento em mercados.

Uma estratégia a ser considerada é diversificar sua carteira para não ser afetado de forma inesperada e correr riscos muito altos. Fazer uma parte do investimento em dólar para manter a estabilidade também pode ser uma alternativa interessante para se proteger dos efeitos sofridos por países emergentes, como Brasil, México, Turquia e África do Sul, entre outros.

Uma dica importante é ter uma reserva financeira para uma maior segurança, pagando as contas essenciais e não assumindo dívidas. Entretanto, se você já estiver com alguma parcela em andamento, pode ser um momento interessante para negociar condições de pagamento melhores.

Como a economia se restabelecerá?

No curto prazo, a tendência é um aumento no índice de desemprego. Contudo, é preciso ter em mente que esse fator, por si só, não traz consigo um alto nível de transparência, já que vem crescendo no Brasil o número de trabalhadores informais, sobretudo nos segmentos por aplicativos móveis.

Não é à toa que os órgãos do governo estão se movimentando para dar algum auxílio às camadas sociais que mais precisam. Medidas direcionadas à economia também têm sido tomadas no que diz respeito às empresas.

Aqui, é importante ressaltar que, além da injeção de recursos nos próprios setores do mercado, a garantia de renda para a população permite que o consumo seja mantido em alguma medida, ainda que concentrado em produtos e serviços mais essenciais.

A princípio, é natural que o endividamento do governo seja um caminho adotado, já que esse mecanismo funciona como uma contenção de emergência o qual evita o impacto frontal da crise no mercado como um todo.

Porém, é importante que as medidas sejam planejadas no médio e longo prazos para que as reservas públicas não sejam comprometidas demais. Afinal, vale lembrar que são elas as financiadoras do investimento em segmentos básicos.

Mesmo antes dos impactos do coronavírus na economia, a situação no Brasil estava longe de ser confortável. No momento, os olhares estão na curva de contágio do vírus. Esse é um parâmetro que inevitavelmente a maioria dos países está assumindo como referência para que o planejamento econômico possa ser ajustado.

Se o ritmo for contido dentro das expectativas e o sistema de saúde der conta do recado, a tendência é que o fim das medidas de quarentena traga um aumento significativo no consumo. Ainda que isso ocorra em períodos intermitentes de atividade, as pessoas vão consumir, ir a restaurantes, viajar e aproveitar ao máximo tais momentos.

Podemos concluir que é importante acompanhar de perto os impactos do coronavírus na economia brasileira e em outras nações. Porém, leve sempre em conta as particularidades do nosso país, sua capacidade de resposta, os recursos disponíveis e as próprias características geográficas e demográficas. Em pouco tempo, os números mostrarão quais foram as medidas eficazes e o que pode ser feito de melhor.

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