Já ouviu falar em Risco-Brasil? Veja como isso pode impactar nos investimentos

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O Risco-Brasil costuma aparecer com mais frequência no noticiário nos momentos em que a economia do país começa a patinar, como agora no momento de pandemia do novo coronavírus. Faz sentido, já que ele serve justamente para dizer ao mercado se os títulos emitidos pelo governo estão sendo bem ou mal remunerados.

Nesse caso, quanto maior for o pagamento que o governo faz pelos títulos que emite, maior o risco. Por sua vez, títulos públicos de baixa remuneração sinalizam para um grau de risco mais brando.

Neste artigo, vamos explicar com mais detalhes o que é Risco-Brasil e como funciona, de que forma o índice é mensurado, por que ele é importante, até que ponto a Covid-19 pode afetá-lo e quais cuidados tomar ao investir no mercado financeiro. Veja!

O que é Risco-Brasil e como funciona?

Todo Estado soberano emite títulos e papéis que são negociados no mercado financeiro. É o caso, por exemplo, do nosso Tesouro Direto, que representa frações da dívida pública federal comprados pelos cidadãos, rendendo juros por isso.

Quando o governo paga mais por títulos dessa natureza, indica que está em busca de mais investidores. Isso, por sua vez, sinaliza para uma maior necessidade de cobrir gastos públicos. Pelo contrário, quando paga menos, indica que sua economia está mais sólida e, portanto, menos exposta às variações do mercado financeiro global.

Esse é o conceito do chamado Risco-País, ou, em nosso caso, Risco-Brasil, o qual é medido pelo Emerging Market Bond Index Plus (EMBI+) e apurado diariamente desde 1993 pela agência norte-americana JP Morgan Chase. Para quem pretende aplicar em ações, debêntures e outros ativos mais arrojados, ele representa um importante indicador.

Na série histórica, o melhor momento do Brasil nesse índice foi no dia 2 de janeiro de 2013, quando marcou 136 pontos. Já o pior foi em 11 de fevereiro de 2016, quando atingimos a máxima de 569 pontos. Na data em que esse conteúdo foi redigido, ele estava em 400, conforme gráfico divulgado em tempo real pelo Ipeadata.

Como esse índice é mensurado?

O Risco-País toma como referência o índice dos Estados Unidos, considerada a economia mais segura do mundo. Como você viu, ele é conhecido por meio do índice EMBI+, cujo cálculo é feito pela média extraída do payback (retorno) diário pago por instrumentos de países emergentes, como o Brasil, vinculados à dívida externa.

Cada índice diário é confrontado com o do dia anterior, de onde sai uma variação que tem como base o número 100. Ou seja, esse é o grau mínimo de risco que um país pode atingir.

O EMBI+ é medido pela referência chamada de ponto-base, na qual cada grupo de 10 pontos simboliza 1/10 de 1%. Dessa forma, esses pontos vêm a representar o chamado spread, que nada mais é que a diferença entre o payback dos títulos do país avaliado e os do Tesouro norte-americano.

Assim sendo, um spread mais alto simboliza uma percepção de risco proporcional, ao passo que os menores tendem a indicar riscos também menores para a economia em questão. Com o Risco-Brasil na casa dos 400, os títulos estão oferecendo retorno de 4% a.a. acima do que é pago em títulos do governo dos Estados Unidos. No entanto, quem investe em títulos americanos tem suas reservas dolarizadas, e o real perde continuamente valor diante de dólar.

Para o mercado financeiro, trata-se de um indicador de instabilidade. Uma prova disso são os recentes circuit-breakers da B3 em março, quando chegou a parar suas atividades por seis vezes em oito pregões.

Por que é interessante conhecer esse conceito e interpretá-lo?

Junto ao índice EMBI+, existe um outro indicador usado para entender os riscos de se investir em um determinado país, o Credit Default Swap (CDS). Ele é similar ao um seguro, na medida em que fornece aos investidores uma forma de proteção para compensar seu grau de risco.

Investir em valores mobiliários denominados e / ou domiciliados no exterior pode envolver riscos elevados devido a flutuações da moeda e riscos econômicos e políticos, que podem ser aprimorados em mercados emergentes. Investir no mercado de títulos está sujeito a riscos, incluindo mercado, taxa de juros, emissor, crédito, risco de inflação e risco de liquidez. O valor da maioria dos títulos e estratégias de títulos é impactado por mudanças nas taxas de juros. Títulos e estratégias de títulos com durações mais longas tendem a ser mais sensíveis e voláteis do que aqueles com durações mais curtas; os preços dos títulos geralmente caem à medida que as taxas de juros aumentam, e o ambiente atual de baixa taxa de juros aumenta esse risco. Os títulos de alto rendimento e classificação mais baixa envolvem maior risco do que os títulos com classificação mais alta; as carteiras que investem nelas podem estar sujeitas a maiores níveis de risco de crédito e liquidez do que as carteiras que não o fazem. As ações podem diminuir em valor devido às condições gerais reais e percebidas do mercado, econômicas e da indústria. Os derivativos podem envolver certos custos e riscos, como liquidez, taxa de juros, mercado, crédito, administração e o risco de que uma posição não possa ser fechada quando mais vantajosa. Investir em derivativos pode perder mais do que o valor investido. A diversificação não garante contra perdas. 

Portanto, quanto maior o valor do prêmio pago, mais arriscado é o título soberano. É a mesma lógica aplicada a qualquer outro tipo de seguro: quanto maior o risco de um roubo, por exemplo, mais caro será o valor do seguro de um automóvel.

Esse é mais um índice que deve ser conhecido por todos que pretendem avaliar o mercado interno e, a partir daí, decidir por um possível Flight to Quality.

Como a crise da Covid-19 pode impactar o Risco-Brasil?

Estamos em meio a uma das maiores crises econômicas da década, causada pela pandemia da Covid-19, uma variação do coronavírus com origem na China. De fato, os efeitos percebidos são graves e causaram uma disparada no Risco-Brasil.

Mesmo que a economia pelo menos pare de se retrair nos próximos meses, isso não significa que ela estará recuperada. Tal processo poderá levar um bom tempo, conforme comprova a performance do país em momentos pós-crises, como em 2008 e 2016.

O que mais avaliar ao investir no mercado?

Outro índice de referência para avaliar o Risco-País é a Classificação de Risco de Crédito. Nele, são atribuídas notas a cada nação do mundo pelas três principais agências de avaliação de risco, a Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch & Ratings. Portanto, considerá-lo é fundamental antes de apostar em um investimento.

As agências levam em conta o histórico recente de bom pagador de um país e também têm como referencial a economia norte-americana. Atualmente, o Brasil encontra-se no grau especulativo, com notas BB- (F&R), Ba2 (Moody’s) e BB- (S&P). Isso significa que o país está na zona de risco para investimentos. Recentemente, a Fitch deu ao Brasil perspectiva de rebaixamento.

Para não depender exclusivamente da economia de um único país, a diversificação internacional é algo a ser considerado.

E então, esclareceu suas dúvidas sobre o tema?

Caso tenha algum dado ou observação a acrescentar, deixe seu comentário no espaço abaixo!

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